Maria João Pires recebe prémio de personalidade do ano da AIEP

A pianista Maria João Pires, 75, recebeu nesta sexta-feira (24) o prémio personalidade do ano/Martha de la Cal de 2019 da AIEP (Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal).

Em cerimónia realizada no Picadeiro Real, em Lisboa, a musicista agradeceu o galardão e disse ainda se surpreender com homenagens.

“Acho que todos os prémios me surpreendem, porque é sempre inesperado recebê-los. Não sou uma pessoa que tenha muita relação com o reconhecimento, pois eu própria tenho muitas dúvidas acerca de mim. Cada prémio é sempre uma surpresa”, afirmou.

Na ocasião, Maria João Pires teve a oportunidade de reencontrar o primeiro piano de cauda em que se apresentou em público –e que foi também o primeiro piano de causa que ela viu na vida– há cerca de 70 anos.

Em seu discurso de agradecimento, Maria João Pires relembrou a relação afetuosa com o instrumento: um imponente Bechstein que chegou a Lisboa em 1918 e que, em breve, terá sua trajetória contada em documentário.

Maria João Pires afirmou diz recordar-se bem do momento em que, durante uma audição no Conservatório de Lisboa, tocou pela primeira vez neste mesmo instrumento. Acostumada apenas aos pianos verticais, como o que tinha em sua casa, ela diz ter achado o instrumento “fascinante”, colocando-se de pé no banco para ver seu interior.

A artista interpretou o que disse ser “um básico de Chopin”: a obra Nocturno, com a qual também tem uma relação afetuosa. Após tocar, a pianista assinou o interior do instrumento.

Maria João Pires assinou o interior do instrumento, que já conta com os nomes de outros grandes nomes da música

A apresentação de Maria João Pires foi precedida pela interpretação do 1.º andamento do Trio em Si bemol maior, opus 97, de Beethoven, feita pelos anos da Escola de Música do Conservatório Nacional: Manuel Prates (piano), Francisco Esteves (violino) e Vasco Ferrão (violoncelo).

Presidente da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, o jornalista Levi Fernandes destacou a importância da obra de Maria João Pires na promoção da cultura e do nome de seu país no exterior.

“Todos os anos, debatemos muito quem receberá o nosso prémio. Neste ano não foi diferente, mas Maria João Pires teve uma vitória muito clara”, afirmou o presidente da AIEP.

também presente na cerimónia, o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Média, Nuno Artur Silva,  afirmou que Maria João Pires é uma “verdadeira embaixadora de Portugal”.

O PRÉMIO

O Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal tem como objetivo distinguir a pessoa ou a instituição que contribuiu para promover a imagem do país no estrangeiro durante o ano.

A distinção, atribuída anualmente desde 1990, resulta da eleição dos 60 jornalistas estrangeiros acreditados em Portugal e inscritos na Associação.

Ao longo de mais de seis décadas, a pianista, reconhecida e considerada pela crítica internacional como uma das mais famosas intérpretes de música clássica, tem atuado ao longo dos anos nos mais prestigiados palcos mundiais, recebendo vários prémios.

Maria João Pires, que dedicou a sua vida à musica, continua a promover a sua arte à frente do Centro de Artes de Belgais, no distrito de Castelo Branco, um projeto pedagógico e cultural com uma programação variada.

Em edições anteriores, o prémio já foi entregue a empresários, políticos, artistas, desportistas e instituições.

O prémio dos correspondentes passou a ser denominado prémio Martha de La Cal (1927-2011) a partir de 2012. Uma homenagem à jornalista norte-americana que trabalhou durante vários anos em Portugal para a revista Time e que foi uma das fundadoras da Associação da Imprensa Estrangeira há 41 anos.

Vencedores por ano:

2018 – Mário Centeno, por sua chegada à presidência do Eurogrupo.
2017 – Salvador Sobral e a irmã Luísa Sobral, pela vitória no concurso da Eurovisão 2017.
2016 – Fernando santos treinador da equipa portuguesa de futebol, pela vitória alçançada no Europeu de Futebol 2016.
2015 – Vhils (Alexandre Farto), artista plástico, pelo impacto que têm tido pelo mundo o seu trabalho em espaços urbanos, 
 marcadamente original tanto nos seus conceitos como nas suas técnicas.
2014 – Carlos do Carmo, o mais importante fadista da atualidade, no ano em que recebeu um Grammy – 
 o primeiro português a ser galadoardo desta maneira pela Latin Recording Academy.
2013 – Mário Soares, pela sua longa e intensa trajectória política, e também pela enérgica actividade 
 realizada ao longo deste ano pelo ex-presidente da República.
2012 – Joana Vasconcelos, pela notável carreira da artista, que se tornou, no ano passado, na primeira mulher e criadora mais jovem a
 expor algumas das suas obras no emblemático Palácio de Versailles, em Paris
2011 – Eduardo Souto Moura, um dos mais relevantes arquitetos de sua geração. As construções que planeia deixam uma marca no seu entorno
2010 – Fundação Champalimaud, pelo seu trabalho no mundo da ciência e a investigação e a sua aposta na cura do cancro com
 o novo centro de investigação e tratamento em Lisboa
2009 – Paula Rego, pela sua trajectória profissional como pintora ao longo das últimas décadas e a abertura da Casa das Histórias
2008 – O futebolista Cristiano Ronaldo pelo seu trabalho na sua ainda curta carreira profissional, sendo um dos portugueses que mais está a
 contribuir na divulgação do nome de Portugal fora do seu país
2007 – A atleta de triatlo Vanessa Fernandes, número um do mundo na sua modalidade, pelo seu brilhante percurso profissional, com 19
 títulos, e pelo seu exemplo de trabalho e sacrifício
2006 – Fundação Gulbenkian, pelo papel fundamental que tem representado no panorama cultural, artístico e educativo
 português nos últimos 50 anos.
2005 – António Guterres devido à nomeação para dirigir o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
2004 – José Manuel Barroso, pela projecção inegável que Portugal ganhou com a sua eleição para o cargo de presidente da
 Comissão Europeia.
2003 – A fadista Mariza por ter levado o fado pelo mundo fora, através de interpretações inovadoras.
2002 – O arquitecto Álvaro Siza Vieira, marco da arquitectura mundial.
2001 – O cineasta Manoel de Oliveira, uma das mais importantes figuras do cinema português e mundial.
2000 – O futebolista Luís Figo, pela excelência no desporto.
1999 – A embaixadora Ana Gomes, pelo seu empenho na causa timorense.
1998 – O escritor José Saramago, Prémio Nobel da Literatura.
1997 – António Mega Ferreira, por ter conquistado para Portugal a organização da Exposição Universal Expo’ 98, oportunidade
única para promover a imagem dum país moderno e renovador.
1996 – A desportista Fernanda Ribeiro, pela sua excelência, pelo exemplo de fair-play e espírito olímpico.
1995 – OS Capitães de Abril, singela homenagem aos heróis da revolução que trouxe a democracia a Portugal.
1994 – O actor Joaquim de Almeida, pelas interpretações que se fizeram notar na cinematografia mundial.
1993 – O secretário de Estado da Cooperação, José Manuel Durão Barroso, pelo empenho pessoal na assinatura do Acordo de Paz
 para Angola (Acordo de Bicesse).
1992 – O empresário Francisco Pinto Balsemão, por ter aberto as portas da iniciativa privada no mercado das televisões.
1991 – O escritor Miguel Torga, por ter maravilhado com as suas palavras, milhares de leitores de todo o mundo.
1990 – O guitarrista Carlos Paredes, por ter projectado internacionalmente o som único da guitarra portuguesa.

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